Um espaço de escuta, presença e verdade

Meu trabalho é acompanhar mulheres em processos de autoconhecimento e reconexão consigo mesmas, respeitando o tempo, o ritmo e a verdade de cada uma.

Não trabalho com fórmulas prontas, promessas ou caminhos acelerados. O que ofereço é um espaço seguro para olhar com profundidade, consciência e gentileza para o que está vivo agora.

Após a análise de um sonho, entendi algo profundo:
enquanto eu precisar de ajuda, vou me sentir insuficiente.
Essa dor também bate por aí?

Fomos ensinadas a sermos independentes — mas esse ensinamento nasceu da dor.
E hoje, nossa geração está descobrindo que a tão sonhada independência também pode se tornar uma prisão.

A herança das nossas ancestrais
Nossas ancestrais, muitas vezes, viveram presas em casamentos infelizes e vidas limitadas.
A mensagem “não dependa de homem para nada” ecoava como alerta, proteção.
Mas não foi ensinada por amor à liberdade — foi ensinada para evitar uma dor.

Como diz minha amiga Flávia:

“Quando escolhemos a partir da dor, do medo ou da vingança, colhemos o mesmo — só que transvestido de algo bom.”

Do outro lado da moeda: a independência como sobrecarga
As mulheres antes de nós fizeram o melhor que puderam.
Mas muitas de nós fomos ao outro extremo:
de dependentes a obrigadas a dar conta de tudo, sozinhas.

E descobrimos que essa independência também pesa.
E pesa tanto que vira sobrecarga.

Falando por mim:
“Eu preciso dar conta de tudo. Eu preciso cuidar sozinha das minhas filhas.”
Na minha cabeça, não entrava a ideia de não dar conta.
Quantas vezes ouvimos — ou dissemos — “não dependa de homem para nada”?

A casa precisa estar limpa — mas Deus me livre limpar.
Desvalorizamos o cuidado com a casa, com os filhos, com o estar presente.
E, mais uma vez, o que fica de lado somos nós mesmas.

E o trabalho? Esse não pode parar.
“Eu sou paga para trabalhar. Se eu não faço, não recebo.”
Essa lógica nos aprisiona em outra caixa:
a da ilusão de liberdade que vem com a independência.

Te pergunto:
A que custo temos liberdade?
Será mesmo liberdade?

A verdade: somos co-dependentes
Somos seres altamente interdependentes. Quer ver?

– Dependemos de alguém para nos contratar.
– Essa pessoa depende de alguém para consumir o que a empresa vende.
– Esse consumidor precisa de outro para tê-lo contratado e assim por diante.

– Dependemos do agricultor para plantar, do caminhoneiro para transportar, do mercado para organizar e vender.
– Dependemos de um homem (direta ou indiretamente) para termos filhos.
– E essa criança depende de muitas pessoas para nascer, crescer e se desenvolver: médicos, professores, cuidadores, amigos…

Vivemos em uma teia invisível de co-dependência.

Então levantar a bandeira da independência a qualquer custo… é ilusão.

O chamado ao equilíbrio
Estamos aqui para aprender, evoluir e desenvolver virtudes.
Minha sugestão? Busque o equilíbrio.
Sem esquecer que você é mulher.

Porque muitas estão vivendo como homens, e esquecendo a beleza de ser mulher.
Inclusive eu.

Ser mulher não é ser frágil.
É ser força, vontade, acolhimento, cuidado, sutileza e gentileza.
Enquanto não respeitarmos e honrarmos quem somos, os homens também não vão.


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