Por muito tempo, carreguei o peso de ser a “boazinha”: a mulher compreensiva, educada, agradável, que evita conflitos e não quer desagradar ninguém. Só que essa máscara, aparentemente inofensiva, teve um custo muito alto na minha maternidade.
Eu tinha medo de ser repreendida, de parecer exagerada ou “chata” ao defender minhas filhas. Muitas vezes, mesmo diante do sofrimento delas, eu duvidava do meu instinto. Uma vez, levei minha filha ao médico e ouvi:
“Mãe, dor de ouvido é só dar remédio e fazer compressa. Não tá inflamado.”
Mesmo com ela reclamando de dor, saí dali me sentindo exagerada, errada. E sim, confesso: algumas vezes, acabei descontando na criança. A frustração, a impotência e o autojulgamento transbordavam de formas que me machucavam — e também a elas.
Por muito tempo, engolia tudo em silêncio. Sentia um bloqueio enorme, como se me posicionar fosse algo proibido. E isso me fazia sentir uma péssima mãe.
Hoje, com mais consciência, consigo ver que aquela “boazinha” que eu acreditava ser sinônimo de educação e empatia, na verdade, era uma prisão. Eu não estava escolhendo ser compreensiva — eu estava me anulando.
Dessa vez foi diferente.
Levei minha filha quando senti que precisava. Levei de novo. E uma terceira vez, porque dentro de mim algo ainda gritava: tem algo errado. E estava. Ela precisava de mais atenção, de um cuidado real. E eu estava certa em insistir.
Foi desafiador, mas libertador. Ser “chata”, insistente, desagradável para os outros — e, ao mesmo tempo, ser fiel ao que eu acreditava.
Essa experiência me ensinou que liberdade também é isso:
Me respeitar. Me amar. Me priorizar.
A “boazinha” quer agradar a todos, menos a si mesma. E, sem perceber, vai apagando a própria luz.
Hoje, escolho ser agradável comigo mesma antes de tudo. Porque ser mãe também é isso: crescer, romper, refazer. Por mim. Por elas.



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